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terça-feira, 3 de maio de 2016

História do Conceito de Saúde


O presente resumo é sobre a história do conceito de doença. A realização do trabalho é baseada no artigo intitulado História do Conceito de Saúde, do autor Moacyr Scliar, publicado em 2007, que aborda aspectos relacionados da história do conceito de saúde e doença.
Segundo Scliar (2007), os conceitos de saúde e de doença são analisados com base em sua evolução histórica e em seu relacionamento com o contexto cultural, social, político e económico, evidenciando a evolução das ideias nessa área da experiência humana. Para este autor os conceitos de doença e saúde devem ser vistas de acordo com a época, lugar, e concepções científicas.
Antigamente alguns povos viam a doença como algo associado a espíritos malignos. Para outros povos como os antigos hebreus doença era sinal de desobediência ao mandamento divino diante dos pecados humanos.
No Oriente, a concepção de saúde e de doença seguia, e seguiu um rumo diferente, mas de certa forma análogo ao da concepção Hipócrates. Fala-se de forças vitais que existem no corpo, quando funcionam de forma harmoniosa, onde há saúde na ausência da doença. As medidas terapêuticas (acupunctura, ioga) têm por objectivo restaurar o normal fluxo de energia (“chi”, na China; “prana”, na Índia) no corpo.
Na Idade Média europeia, a influência da religião cristã manteve a concepção da doença como resultado do pecado e a cura como questão de fé. Onde o cuidado dos doentes estava, em boa parte entregue a ordens religiosas, que administravam o hospital (instituição que o cristianismo desenvolveu muito, não como um lugar de cura, mas de abrigo e de conforto para os doentes). Neste mesmo período, as ideias hipocráticas se mantiveram, através da temperança no comer e no beber, na contenção sexual e no controle das paixões baseado no pensamento de evitar viver contra a natureza.
De acordo com Sciliar (2007), A preocupação com a saúde a nível mundial cresceu com o decorrer das Guerras Mundiais, despertando a Liga das Nações ideia da criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O conceito da OMS, divulgado na carta de princípios de 7 de Abril de 1948, implicando o reconhecimento do direito à saúde a todos indivíduos, sendo a obrigação do Estado garantir a promoção e protecção da saúde. A OMS define a saúde como sendo o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade.
Este conceito reflecte a ideia de que a saúde deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações. Com base neste conceito, o campo da saúde abrange: a biologia humana, meio ambiente, estilo de vida, organização da assistência à saúde.
A amplitude do conceito da OMS foi alvo de críticas, de natureza técnica (onde a saúde seria algo ideal, inatingível), e outras de natureza política, (onde o conceito permitiria abusos por parte do Estado, que interviria na vida dos cidadãos, sob o pretexto de promover a saúde).
Christopher Boorse (1977), citado por Sciliar (2007), refere-se a saúde como sendo a ausência de doença em objecção ao conceito da OMS.
Actualmente o conceito de saúde reflecte a conjuntura social, económica, política e cultura, pois espera-se que os sistemas nacionais de saúde, devem estar inteiramente integrado no processo de desenvolvimento social e económico do país envolvendo todos os sectores. Os cuidados primários de saúde, devem estar adaptados às condições económicas, socioculturais e políticas de uma região e deveriam incluir pelo menos: educação em saúde, nutrição adequada, saneamento básico, cuidados materno-infantis, planeamento familiar, imunizações, prevenção e controle de doenças endémicas e de outros frequentes agravos à saúde, provisão de medicamentos essenciais.
Espera-se que haja uma integração intersectorial, como agricultura e indústria entre outros sectores.


Referência:
SCILIAR, M. (2007). História do Conceito de Saúde. PHYSIS: Revista. Saúde Colectiva, Rio de Janeiro.

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