O
presente resumo é sobre a história da doença, ou seja, o processo
da evolução deste termo ao longo da história, baseando-se no
artigo intitulado Doença:
um estudo filosófico,
do autor Leonidas
Hegenberg
publicado em 1998, que aborda aspectos relacionados a evolução
histórica da doença.
Com
base no texto os termos doença e saúde colocam-se como noção
básica para estudo da Filosofia
da Medicina, onde as
suas concepções foram se modificando ao longo dos tempos em função
de factores como crenças e descobertas científicas.
De
acordo com Hegenberg (1998), as concepções primitivas levam a crer
que a medicina tenha surgido com a humanidade, onde o ser humano
preocupava-se com os seus doentes, tendo o desejo de curá-los com
objectivo de tira-lo do sofrimento. Houve tempos em que se encarasse
a doença como ocorrência sobrenatural, associado a eventos como os
ventos, as tempestades, a manifestações de deuses malévolos, obra
de algum espírito, ou um inimigo dotado de poderes especiais.
A
medicina científica teve inicio na Grécia com Hipócrates (460 e
370 a.C.), que através da observação foi conhecendo profundamente
o ser humano e exercendo intensamente a actividade médica,
consolidou informações, deixou grandes ensinamentos, descreveu
numerosas doenças e recebeu o cognome Pai
da Medicina.
Deve-se
a Hipócrates a primeira tentativa no sentido de eliminar causas
sobrenaturais as doenças, atribuindo-as a causas naturais. Essa
observação marca o início da abordagem científica das doenças e
assinala o começo da terapia racional (momento em que a doença
passa a ser vista como fenómeno natural). Na época de Hipócritas,
a natureza era contemplada como combinação de quatro elementos
(terra, água, ar e fogo). Hipócrates associa os quatro elementos a
quatro "humores" do corpo humano (sangue, phlegma, bile
amarela e a bile negra). A base da primeira doutrina a respeito da
doença ela era vista como uma "patologia humoral", onde a
saúde resultaria de equilíbrio dos elementos e a doença
dever-se-ia ao desequilíbrio dos mesmos elementos. A doutrina de
Hipócrates disseminou-se rapidamente.
No
final do século II, obras de Galeno de Pérgamo apresenta uma
convincente sistematização dos ensinamentos hipocráticos,
aperfeiçoando a teoria humoral deixada por Hipócrates. A doença
continua a ser entendida como antes, em termos de equilíbrio ou
desequilíbrio de humores. A doutrina humoral se manteve firme
dominando o cenário até quase o final do século XVIII.
No
período medieval verificou-se a continuidade das concepções
gregas. O interesse dos romanos pela Engenharia levou ao
desenvolvimento de técnicas que permitiram melhoramento no
tratamento das águas, que resultaram no aumento do padrão de
higiene no continente Europeu até fins do século XIX. Os muçulmanos
desenvolvem a medicina, escrevendo vários tratados a respeito de
doenças tais como a varíola, o sarampo e das doenças dos olhos.
Alberto Magno e seu discípulo São Tomás de Aquino divulgam o
pensamento aristotélico, tentando aproximá-lo aos pensamentos da
Igreja.
A
divulgação dos textos clássicos em Latim e dos textos produzidos
por estudiosos
como
Harvey, contribuiriam para o ressurgimento das teorias humorais de
Hipócrates e Galeno que voltaram a dominar o cenário das ideias
médicas, no início dos tempos modernos.
O
período moderno foi marcado por outras concepções. Giovanni
Battista Morgagni, estabelece as bases da Anatomia Patológica,
realizando inúmeras autópsias, afirma que as doenças resultam de
alterações nos órgãos. Descreveu diversos tipos de lesões que,
mais tarde, foram dadas como substrato anatomopatológico de muitas
doenças. O médico inglês John Hunter, apoiou-se nos ensinamentos
de Morgagni, operando com vários animais estabelecendo as bases da
Patologia
Experimental,
resultando na convicção de que as doenças decorriam de alterações
nos órgãos. Para Friedrich Hoffman, as “doenças
agudas” tinham
origem em certas condições espasmódicas, ao passo que as
“crónicas”
decorreriam
da falta de tono (termo que em Fisiologia, indica estado normal de
resistência ou de elasticidade de um órgão ou de um tecido). Nesse
período, houve médicos como Georg Ernst Stahl procuram explicar a
doença em termos fisiológicos. Os períodos referentes aos finais
do século XVIII a primeira metade do século XIX, também deu-se
enfoque ao desenvolvimento da patologia
celular e
os estudos da microbiologia
e parasitologia.
Neste sentido a doença passou a ser entendida como consequência da
invasão do organismo por agentes estranhos, cuja agressão provocava
lesões nos órgãos e tecidos. Estes estudos levaram a identificar
as causas de varias doenças e levaram a produção de vacinas
(descoberta por Edward Jenner que combateu a varíola) e soros. Na
actualidade a medicina possui um campo de acção mais amplo desde o
estudo de lesões de órgãos assim como doenças mentais.
Referencia:
HEGENBERG,
L. (1998). Doença:
um estudo filosófico.
Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ.
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