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terça-feira, 3 de maio de 2016

História da Doença


O presente resumo é sobre a história da doença, ou seja, o processo da evolução deste termo ao longo da história, baseando-se no artigo intitulado Doença: um estudo filosófico, do autor Leonidas Hegenberg publicado em 1998, que aborda aspectos relacionados a evolução histórica da doença.
Com base no texto os termos doença e saúde colocam-se como noção básica para estudo da Filosofia da Medicina, onde as suas concepções foram se modificando ao longo dos tempos em função de factores como crenças e descobertas científicas.
De acordo com Hegenberg (1998), as concepções primitivas levam a crer que a medicina tenha surgido com a humanidade, onde o ser humano preocupava-se com os seus doentes, tendo o desejo de curá-los com objectivo de tira-lo do sofrimento. Houve tempos em que se encarasse a doença como ocorrência sobrenatural, associado a eventos como os ventos, as tempestades, a manifestações de deuses malévolos, obra de algum espírito, ou um inimigo dotado de poderes especiais.
A medicina científica teve inicio na Grécia com Hipócrates (460 e 370 a.C.), que através da observação foi conhecendo profundamente o ser humano e exercendo intensamente a actividade médica, consolidou informações, deixou grandes ensinamentos, descreveu numerosas doenças e recebeu o cognome Pai da Medicina.
Deve-se a Hipócrates a primeira tentativa no sentido de eliminar causas sobrenaturais as doenças, atribuindo-as a causas naturais. Essa observação marca o início da abordagem científica das doenças e assinala o começo da terapia racional (momento em que a doença passa a ser vista como fenómeno natural). Na época de Hipócritas, a natureza era contemplada como combinação de quatro elementos (terra, água, ar e fogo). Hipócrates associa os quatro elementos a quatro "humores" do corpo humano (sangue, phlegma, bile amarela e a bile negra). A base da primeira doutrina a respeito da doença ela era vista como uma "patologia humoral", onde a saúde resultaria de equilíbrio dos elementos e a doença dever-se-ia ao desequilíbrio dos mesmos elementos. A doutrina de Hipócrates disseminou-se rapidamente.
No final do século II, obras de Galeno de Pérgamo apresenta uma convincente sistematização dos ensinamentos hipocráticos, aperfeiçoando a teoria humoral deixada por Hipócrates. A doença continua a ser entendida como antes, em termos de equilíbrio ou desequilíbrio de humores. A doutrina humoral se manteve firme dominando o cenário até quase o final do século XVIII.
No período medieval verificou-se a continuidade das concepções gregas. O interesse dos romanos pela Engenharia levou ao desenvolvimento de técnicas que permitiram melhoramento no tratamento das águas, que resultaram no aumento do padrão de higiene no continente Europeu até fins do século XIX. Os muçulmanos desenvolvem a medicina, escrevendo vários tratados a respeito de doenças tais como a varíola, o sarampo e das doenças dos olhos. Alberto Magno e seu discípulo São Tomás de Aquino divulgam o pensamento aristotélico, tentando aproximá-lo aos pensamentos da Igreja. A divulgação dos textos clássicos em Latim e dos textos produzidos por estudiosos como Harvey, contribuiriam para o ressurgimento das teorias humorais de Hipócrates e Galeno que voltaram a dominar o cenário das ideias médicas, no início dos tempos modernos.
O período moderno foi marcado por outras concepções. Giovanni Battista Morgagni, estabelece as bases da Anatomia Patológica, realizando inúmeras autópsias, afirma que as doenças resultam de alterações nos órgãos. Descreveu diversos tipos de lesões que, mais tarde, foram dadas como substrato anatomopatológico de muitas doenças. O médico inglês John Hunter, apoiou-se nos ensinamentos de Morgagni, operando com vários animais estabelecendo as bases da Patologia Experimental, resultando na convicção de que as doenças decorriam de alterações nos órgãos. Para Friedrich Hoffman, as “doenças agudas” tinham origem em certas condições espasmódicas, ao passo que as “crónicas” decorreriam da falta de tono (termo que em Fisiologia, indica estado normal de resistência ou de elasticidade de um órgão ou de um tecido). Nesse período, houve médicos como Georg Ernst Stahl procuram explicar a doença em termos fisiológicos. Os períodos referentes aos finais do século XVIII a primeira metade do século XIX, também deu-se enfoque ao desenvolvimento da patologia celular e os estudos da microbiologia e parasitologia. Neste sentido a doença passou a ser entendida como consequência da invasão do organismo por agentes estranhos, cuja agressão provocava lesões nos órgãos e tecidos. Estes estudos levaram a identificar as causas de varias doenças e levaram a produção de vacinas (descoberta por Edward Jenner que combateu a varíola) e soros. Na actualidade a medicina possui um campo de acção mais amplo desde o estudo de lesões de órgãos assim como doenças mentais.
Referencia:
HEGENBERG, L. (1998). Doença: um estudo filosófico. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ.

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