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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Captura de Carbono



Com a problematica das mudanças climaticas,  hove a necessidade tomar medidas para minimizar esta situação. Hoje compartilho aqui um cheirinho da pesquisa feita pelo grupo sobre a captação de carbono.


Marcos Históricos de Captação de Carbono
Com a realização de estudos científicos que apontavam para níveis alarmantes de degradação do meio ambiente e a crescente preocupação com o aquecimento global, houve maior consciencialização dos países desenvolvidos em tomar medidas para conservação e preservação do meio natural. (Dalsuco, 2011).
No ano de 1972, em Estocolmo, na Suécia, registou-se um grande marco da consciencialização dos países desenvolvidos, com a realização da Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente Humano, onde participaram cerca de 113 países que assinaram compromissos pela preservação do meio ambiente. Nesta Conferência foi aprovada a Declaração de Estocolmo e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Na conferência RIO 92, intensificou-se a preocupação sobre a emissão de gases, ratificou-se e implementou-se os princípios de Estocolmo. A partir deste ano foram assinados vários acordos que tinham como objectivo a redução de emissões de gases que poluem a atmosfera, e que são responsáveis peelo aquecimento global.
Protocolo de Quioto
De acordo com Dalsuco (2011), o Protocolo de Quioto foi assinado aos 16 de Março de 1998, após às discussões de Dezembro de 1997 na cidade japonesa de Quioto. Este protocolo tem como objectivo principal a redução da emissão de gases poluentes á atmosfera, que são responsáveis pelo aquecimento global e pelo efeito estufa. Este protocolo entrou oficialmente em vigor a 16 de Fevereiro de 2005, onde indicava para a redução de pelo menos 5% das emissões de dióxido de carbono pelos países industrializados, com base nos níveis de 1990, até ao período de 2008-2012.
Segundo o MICOA (2005), Moçambique ratificou o Protocolo de Quioto em 2004, através da Resolução número 10/2004 da Assembleia da República de 28 de Julho de 2004 que entrou em vigor aos 18 de Abril de 2005. Desde então, o país compromete-se a participar em actividades de mitigação das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa através de projectos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
Segundo consta no Artigo 5 do Protocolo de Quioto, cada uma das Partes ou Países que assinaram o acordo é responsável pelo cumprimento ou incumprimento das metas estabelecidas. A análise do Protocolo de Quioto focaliza-se na redução dos problemas ambientais causados principalmente pelas empresas de modo a que países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, possam juntos cooperar para um desenvolvimento sustentável através da sua diferença de recursos. O tratamento diferenciado entre os países desenvolvidos e os em vias de desenvolvimento está patente numa das premissas do Protocolo, que estabelece expressamente a obrigação do cumprimento de metas de redução de emissões apenas para os países industrializados.
Directrizes estabelecidas no Protocolo de Quioto
O Protocolo estabeleceu bases e directrizes com vista a remediar as áreas prejudicadas pelas acções das empresas e a conter o processo de degradação do meio ecológico. A essência do acordo consiste no investimento de recursos, know-how, tecnologia em países em vias de desenvolvimento, pelos países já desenvolvidos. Esta acção irá culminar com o crescimento eficiente, seguro e ambientalmente correcto dos países em vias de desenvolvimento.
São quatro directrizes básicas que caracterizam o Protocolo de Quioto:
  • Identificação de mecanismos para a remoção ou redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE);
  • Estabelecimento de limites de emissões de Gases de Efeito Estufa para os países envolvidos;
  • Determinação de quotas de redução de Gases de Efeito Estufa para os países desenvolvidos, baseando-se nos volumes de emissões de ano de 1990;
  • Cooperação entre países ricos e países desprovidos de recursos para reduzir ou eliminar as emissões de gases poluentes.
Captura de Carbono
Segundo Renner (2004), a captura ou sequestro de carbono refere-se a processos de absorção e armazenamento de dióxido de carbono atmosférico, com intenção de minimizar seus impactos no meio ambiente, uma vez que trata-se de um gás de efeito estufa.
A forma mais comum da captura de carbono é naturalmente realizada pelas florestas. Na fase de crescimento, as árvores demandam grande quantidade de carbono para se desenvolver. Esse processo natural ajuda a diminuir consideravelmente a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. Sendo assim, o dióxido de carbono é removido da atmosfera pela fixação vegetal, por meio de plantas destinadas especialmente a essa finalidade. Para que os mecanismos de sequestro de carbono sejam significativos, é necessário que o carbono fique armazenado por um período longo o suficiente para que a emissão de carbono para a atmosfera diminua, evitando o aumento da temperatura no planeta e o aquecimento global.
Segundo Baird (2002), em vez de ser liberado na atmosfera o dióxido poderá ser removido quimicamente dos gases de exaustão das usinas termoeléctricas que queimam combustíveis fósseis. Em casos como esses, o dióxido de carbono recuperado é armazenado em um local, evitando sua liberação para o ar. “Por exemplo, o dióxido de carbono pode ser sequestrado por submersão nas profundezas dos oceanos, onde seria dissolvido, ou em aquíferos muito profundos em baixo da terra ou do mar, ou em poços de petróleo e de gás vazios ou em minas de carvão desactivadas. Nas proximidades do fundo do mar, o dióxido de carbono reagiria com o carbonato de cálcio sólido formado pelas conchas marinhas para produzir bicarbonato de sódio solúvel”.
A partir do Protocolo de Quioto, foi assumido o compromisso de redução dos GEE, interferindo assim, na intensificação do efeito estufa que geram efeitos adversos sobre os ecossistemas. A captura de carbono, sendo uma modalidade do MDL, pode ser utilizado por países desenvolvidos através de projectos implantados em países em vias de desenvolvimento, como uma forma de créditos de carbono.
A Captação de Carbono Através da Vegetação na Mitigação dos Problemas Ambientais
As florestas têm um papel importante para o equilíbrio do stock de carbono a nível mundial, pois armazenam nas árvores e no solo mais carbono do que existe actualmente na atmosfera. Se as florestas forem cortadas, a maior parte do carbono armazenado nas árvores será libertado para a atmosfera mais rápido por meio de queimadas ou mais lentamente, via decomposição, (HOUGHTON, 1994).
De acordo com Renner (2004), o sequestro de carbono florestal é uma alternativa viável para reduzir o agravamento do processo de aumento da temperatura global, pelo aumento dos gases poluentes. O processo de retirada do carbono da atmosfera pode acontecer de diversas formas: através de acções humanas, que dependem do uso da tecnologia disponível e as que fazem parte do ciclo natural do carbono. Embora o uso da tecnologia para a retirada do carbono seja o método mais eficiente e eficaz para mitigar o problema de mudanças climáticas, este procedimento está fora do conceito de sequestro de carbono.
De acordo com Zolho (2010), a iniciativa de sequestro de carbono através das plantas foi alvo de muitas controvérsias pois dá as empresas a possibilidade de continuar a poluir, desde que contribuam para o plantio de árvores. Outra discórdia que a iniciativa encontrou era o preço de carbono particularmente em África, onde ainda não existe uma quantificação do volume de carbono de cada espécie de árvores. Assim, as empresas intermediárias poderiam estabelecer o preço e a modalidade de pagamento a seu prazer.
Vantagens do Sequestro de Florestal do Carbono
  • O sequestro florestal do carbono figura como um mecanismo que pode contribuir para a absorção de dióxido de carbono dentro da estratégia de mitigação do efeito estufa;
  • Benefício difuso da conservação da biodiversidade no planeta;
  • A opção florestal é relativamente mais barata do que a opção energética.
Mercado de Carbono
De acordo com Dalsuco (2011), a partir do Protocolo de Quioto surgem os créditos de carbono como meio de disciplinar os países desenvolvidos no decorrer das suas actividades industriais, contribuindo assim para um desenvolvimento sustentável e auxiliar os países em desenvolvimento na preservação do meio ambiente.
Os créditos de carbono são certificados que os países em desenvolvimento referidos no Protocolo de Quioto, podem emitir para cada tonelada de gases de efeito estufa, que não forem emitidos ou que forem retirados da atmosfera, podendo ser comercializados com preços determinados pelas leis de mercado de oferta e demanda.
Sendo assim, as empresas que não conseguem ou não desejam diminuir as suas emissões, poderão comprar Reduções Certificadas das Emissões (RCE), dos países em desenvolvimento que tenham projectos de redução de GEE e usar esses certificados para cumprir com as metas estabelecidas, ainda que o uso desse mecanismo seja limitado a uma parte dos seus compromissos de redução.
Entretanto, a proposta do MDL consiste em que cada tonelada de dióxido de carbono equivalente que deixar de ser emitida ou for retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento poderá ser negociada no mercado mundial, criando novo atractivo para a redução das emissões globais (BMF, 2006).
O mercado de carbono em Moçambique ainda não é flexível, sendo que, actualmente a empresa Cimentos de Moçambique, é a única entidade que está a beneficiar-se dos créditos de carbono. Esta empresa conseguiu substituir o carvão para o aquecimento das caldeiras por gás natural, que é menos poluente. Assim sendo, conseguiu reduzir a emissão de grandes quantidades de poluentes para a atmosfera e vai receber alguns créditos, uma vez que se inscreveu no MDL.

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